sábado, 5 de novembro de 2011

*Cidadania virtual

Que os perfis nas redes sociais mostram o que as pessoas querem parecer - e não o que realmente são - , não é novidade. Basta acessar qualquer uma delas e ver que nas redes de "amigos" há apenas pessoas bonitas, maquiadas, felizes, que vida é uma festa e que leem muito Caio Fernando Abreu. Do lado de cá, sabemos que todos já perderam algumas noites de sono com problemas, que os índices de leitura de livros no Brasil não orgulham e que ninguém acorda de rímel e hálito fresco. Até aí, cada um com seus problemas. Mas um fato semelhante que tem se disseminado na Internet é a cidadania virtual. Isso me incomoda.
São incontáveis os retweets para doação de sangue, mas se todos que se manifestassem na rede partissem para a prática os bancos de sangue não estavam à míngua. Pessoas que postam indignações com a corrupção, mas sequer lembram em quem votaram na última eleição. Colocam na web fotos sensacionalistas de miseráveis que morrem de fome, mas aqui, na vida real, deixam resto de comida no prato.
Não quero bancar o Joãozinho do Passo Certo, longe de mim, que sou cheia de defeitos. Se não quer fazer voluntariado ou participar de protestos nas ruas, mas quer usar a Internet para divulgar boas ideias, ok. Mas acreditar que está fazendo a sua parte apenas curtindo/compartilhando/retuitando o que os outros promovem, não dá! É inegável a força destes meios de comunicação para potencializar manifestos e até mesmo influenciar em questões sociais importantes. Reconheço e aplaudo o cyberativismo. O que não concordo é pensar que se está isento de cumprir a cidadania em detrimento de manifestações na web. O mínimo que se espera de quem se pronuncia em qualquer meio é coerência entre a vida virtual e a real.
Por enquanto, não inventaram Photoshop para retocar as mazelas do mundo. Até lá, ao invés de pensar que pode lavar as mãos em um clique, que tal construir um álbum de ações do bem aqui na vida real? Curtiu?

*Artigo publicado originalmente na página 12 do Jornal NH, edição de 05/11/11.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Minha mãe, um exemplo*

E ergueu-se ela de mais uma de suas internações hospitalares. Estou falando de minha mãe, que nasceu com a raríssima síndrome de Klippel-Trenaunay-Weber, que compromete toda a circulação da perna esquerda. A deficiência vascular também desencadeou problemas crônicos no coração e no pulmão. A doença a acomete desde que nasceu. Quando criança, já havia se acostumado a aprender o conteúdo da escola sozinha em casa e até a fazer provas no hospital. Na adolescência, um médico - com toda a pscicologia da época - disse pra ela que não chegaria aos 20 anos de idade. A reação? "Desde então negocio com Deus. Eu faço minha parte aqui embaixo e ele faz a dele aumentando meu prazo", conta ela, hoje com 65 anos. Quando engravidou de mim havia comprado o terreno no cemitério. Conforme os médicos, seria ou ela ou eu, mas contrariamos a expectativa pra contar essa história. Ela lecionou por 30 anos história e geografia e teve minhas irmãs, hoje com 19 anos. Mas o mais incrível é que ela leva a vida sorrindo e agradece pela competente e carinhosa equipe de médicos e enfermeiros que tem, por ter as duas pernas e por estar viva.

Há alguns anos eu percebi a grandeza dessa alma que me pariu, quando ela, pela primeira vez, confessou: "Eu não lembro do último dia da minha vida que eu passei sem sentir dor". Eu nunca desconfiei que por trás de tanta alegria poderia haver todo aquele peso. Ter de fazer curativo todos os dias, internações, remédios fortíssimos... Seu sorriso constante no leito da unidade 100 é comovente.

Minha intenção com essa história não é ser piegas. Só queria que você, leitor, pensasse duas vezes antes de reclamar da vida. E também porque seria muito egoísmo meu ter esse exemplo dentro de casa e não dividi-lo. Eva Tereza Pinto Lemos largou o giz e o quadro negro, mas segue ensinando muita gente como fazer a sua parte nessa eterna negociação com Deus chamada vida.
 
 
*Artigo publicado orginalmente na página 12 do Jornal NH - edição de 09/07/2011

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

*Um link com queijo, por favor

Educar na era da informação digital não é apenas investir em aparato tecnológico e ensinar a usá-lo. Em um vasto banquete virtual, onde se oferece um verdadeiro fast food de informações, muitas vezes de procedência duvidosa ou até mesmo criminosa, cada vez mais é necessário educar a criança e o adolescente para o uso consciente da web. Os pais desempenham papel importante na educação, mas muitas vezes se sentem perdidos em meio a tantas inovações tecnológicas sem saber quais os limites a serem impostos, ou mesmo sem terem real conhecimento dos perigos que seus filhos correm em virtude da descontrolada exposição online.

Muito fácil é dizer que “há muita porcaria na Internet” e simplesmente proibir, a exemplo da alegação da Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro que moveu uma ação civil pública contra o Google, em julho deste ano. O órgão dizia que o Orkut seria palco para condutas ilícitas e criminosas. É compreensível a preocupação da Procuradoria, mas até quando vamos culpar tecnologias e dispositivos por problemas sociais que nós mesmos não resolvemos em casa? A lógica de atacar as redes sociais com o subterfúgio de controle e para evitar atos abusivos é tão incoerente quanto proibir o álcool para coibir a violência doméstica. Esse não parece ser o caminho. Cabe aos pais acompanharem os rastros percorridos pelos filhos na Internet, promover o diálogo com os jovens e as indicações de cuidados em meio ao bufê de informações.

Muita conversa, acompanhamento e participação na vida dos frutos da Geração Y – geração que desenvolveu-se numa época de grandes avanços tecnológicos, fazendo tarefas múltiplas – pode educar o paladar dessas crianças afoitas por um bom hambúrguer com fritas e refrigerante. Na realidade digital, cabe aos pais fazerem o papel de garçom diante da fome comunicativa dos pequenos, sugerindo o que harmoniza com a carne. Caso contrário, conteúdos de procedência duvidosa podem causar uma séria congestão informacional.

*Artigo publicado orginalmente na página 10 do Jornal NH - edição de 04/09/2010

sábado, 10 de julho de 2010

Santa Maria e minhas ambiguidades

Fiquei um bom tempo longe da minha terra natal, Santa Maria. Fui deixando pra depois, compromissos... e quando me dei por conta a saudade era desesperadora. Pudera, seis meses sem sentir o fedorzinho do Arroio Cadena. E comecei a sentir falta dos amigos que não puderam vir me visitar, do cheiro de casa, do lençol branco, das ruas, de Camobi, do calçadão e até do cheiro de mijo na Floriano pós festas de sexta-feira a noite. Santa Maria me traz muitos cheiros à memória, é nada insípida, inodora e incolor.


E o meu sentimento pela terrinha é um misto de gratidão e desprezo, amor e ódio. Gratidão por ter me parido, me acolhido, me dado todas as oportunidades limitadas, mas que ela pode, os mais valorosos amigos que possam existir, boa parte dos dias inesquecíveis e por ela ter sido o cenário da minha história. Desprezo por ela não matar a minha sede de tudo que eu tinha vontade, não saciar os meus desejos. Desprezo pela mentalidade coletiva que insiste em ser analista da vida alheia, que te julga pela bolsa by 25 de Março da Mercamodas , pela calça da Diff’s , pelo teu Civic da Minami Motors e teu baldinho de champanhe no Absinto. Tipinho de gente que deve cinco carnês de prestação na Renner, mas não deixa de pagar 8 reais num capuccino bem meia boca  no Sr. Café todos os dias. Em suma, gente que come feijão e arrota caviar.



Então, a minha saudade dessa desgraça de tudo isso me fez ir de repente num fim de semana para lá. Sempre abro as janelas e aspiro o ar santamariense na chegada e inalo uma nostalgia aconchegante. Ela sempre me recepciona com muito sol e dias lindos. Quero andar, ir pra rua, passear por todos os cantinhos dela. Voltar nos lugares que gosto. Pensar que lá eu sei onde tem o melhor pão da cidade ou onde tem aquela cratera no asfalto e que de antemão eu já sei que tenho de desviar. Bobagem, que seja,mas esse tipo de coisa traz-me segurança.

Mas durante o tempo inteiro um sentimento permanece comigo desde que cruzo pela Base Aérea na chegada: ela já não me pertence mais. Aquele buraco no asfalto, aqueles cheiros, o lençol branco, o calçadão, não fazem mais parte de mim, ou, pelo menos da Patrícia de hoje. E tudo isso começa a me asfixiar depois de uns dias e dá uma vontade doida de voltar pra minha casa, pra Novo Hamburgo. Sensação de que não caibo mais em Santa Maria e meu pescoço estica para que meu olhar avance muito além do Morro do Cechella.



Então volto para Novo Hamburgo, onde não sou a Patrícia Lemos, mas uma qualquer que não sabe exatamente onde vai parar se dobrar naquela esquina. Só mais uma guria do interior que ainda nem sabe expressões em alemão e se atreveu fazer do Vale do Sinos o endereço de sua felicidade.

domingo, 4 de julho de 2010

*Quanto pagamos pela essência?


Dia desses, ao levar a mão em um bolo artesanal na prateleira do supermercado, fiquei pensando o quanto se paga pela essência das coisas. Sim, porque o tal bolo dito artesanal era o dobro do preço de outros industrializados. Talvez eu tenha sido motivada pela saudade da comida da mãe. O fato é que hoje, na economia capitalista, até a essência é vendável.


Não, o bolo não vai me trazer o tempero da vovó, mas a embalagem e a etiqueta o identificando como artesanal, faz com que nós, na carência das “coisas como eram antigamente”, compremos. E pior, nos cobram bem mais caro por isso em um produto que talvez tenha seus custos iguais ou inferiores aos demais. Ou você acha que o trigo teria sido colhido por virgens escandinavas durante uma aurora de outono? Que uma vovó ficou a tarde inteira sovando aquela massa? Infelizmente essa é a nossa ilusão, enquanto que panificadoras gigantes reproduzem milhares de quitutes e no rótulo da embalagem está estampado “Endereço: Distrito Industrial...”

Walter Benjamin já falava sobre a aura dos objetos em seu ensaio de 1936, chamado A Obra de Arte na Era da Reprodutibilidade Técnica. Para ele, a obra de arte é condicionada pela sua aura que implica na sua existência única, no lugar em que ela se encontra, compreendendo ainda a história. Ele dizia que a nossa vontade de ter tudo estimula a reprodução, que por sua vez retira o objeto do seu invólucro e destrói a sua aura.

E é essa aura fajuta que vendem em prateleiras do supermercado, num cotidiano onde apenas se consome, sem pensar, sem ver, sem cheirar, sem sentir. E assim vamos deixando pra trás a essência de algumas coisas. Não falo só de comida, mas qual foi a última vez que você sentiu a sola do seu pé tocar a grama?

Mesmo sabendo que é inútil lutar contra as consequências do capitalismo, devolvi o bolo “artesanal” na prateleira. Cheiro de terra molhada até pode ter valor de mercado para o empresariado dos produtos artesanais, mas o bolo de maçã com aveia e canela que minha mãe vai fazer este fim de semana pra mim, não tem preço.
 
*Artigo publicado originalmente na página 10 do Jornal NH - edição 04.07.2010

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Aloww

Ei, tem alguém aí? Se tiver, só pra dizer que não esqueci do blog não, é falta de tempo mesmo. Em breve novos posts inspiradíssimos. Aguardem!

domingo, 9 de maio de 2010

Medo!

Estava cá eu me lembrando dos medos que a gente tem na vida. Em cada fase, tememos o que nos amedronta, o que nos é estranho, o desconhecido. Eu tive muitos medos e ainda matenho alguns.

Quando nasci, suponho que o meu medo era de que faltasse leite na teta. Na infância, eu tinha medo da empregada que era feia e mau humorada, do vizinho barbudo, de me perder na praia (sempre acontecia, da última vez uma dúzia de surfistas me entregaram pra mãe..hehe) de que minha mãe fosse trabalhar sem me dar tchau, da véia da caixa do Quacker e até daquela papinha de legumes com carne moída e feijão.

Na adolescência o medo era de que a menstruação descesse enquanto eu estivesse na escola em um dia sem absorvente, que saísse uma espinha no dia do maior sarau do ano, de ficar com vermelho no boletim, de cair no palco durante minha primeira apresentação de balé com sapatilhas de ponta.

A idade foi aumentando e eu temia nunca conseguir passar em um vestibular, depois tinha medo de ser jornalista e morrer de fome, já que havia desistido do direito. Ainda tenho medo de perder meus pais, de que algum dia eu precise baixar hospital, das dores do parto, do escuro, de altura (aham, muito medo) e de agulha (vacina da Gripe A nem a pau).

Enfim, carregamos nossas fraquezas ao longo da vida. Algumas eu venci, como a de andar de cavalo, hoje até me atrevo a dar alguns saltos. Outras nos perseguem, talvez para sempre. Em se tratando disso, tem um medo em especial que há alguns meses adquiri e não consigo me livrar. Eu chego a sonhar, ter pesadelos com a cara da Ana Maria Braga na TV de manhã cedo. Eu tenho muito medo de que arrebentem todos aqueles pontos e desmorone aquele Tsunami de pelancas bronzeadas artificialmente. As charqueadas na Revolução Farroupilha estariam bem abastecidas com todo aquele material de consistência duvidosa. Sério, gente! A cada momento que ela se mexe fico de coração na mão rezando para que nada de mal aconteça. A sensação é de que qualquer sorriso, levantamento de panela ou piscada podem por tudo abaixo. Eu tento, mas a cada manhã que aperto o play fica ainda mais difícil de superar este medo!

domingo, 2 de maio de 2010

Minha Maria que não é Santa

Com a licença do autor deste belo texto, James Pizarro, que o publico no meu blog. Em tempos de saudade de Santa Maria, até foi bom lembrar que a minha vontade é de estar lá, mas não permanecer por muitos motivos (alguns citados no texto). O texto é extraordinariamente lindo e representa muito bem o que, infelizmente, a minha cidade é hoje. Mesmo assim, meu coração ainda nutre um amor e uma gratidão por esse pago. A frase mais apropriada pelo que sinto por Santa Maria é "você não vale nada mas eu gosto de você". Fazer o que, essas coisas não se escolhe. Uma boa leitura!

O CÉU DE SANTA MARIA



Um céu assim
Merece mais que um camelódromo.
Um céu assim
Merece mais que a FATEC e a FUNDAE.
Um céu assim
Merece mais sangue no hemocentro.
Um céu assim
Merece um viaduto concluído na Rio Branco.
Um céu assim
Merece comércio aberto aos domingos e feriados.
Um céu assim
Merece uma Saldanha Marinho reformada.
Um céu assim
Merece ruas e avenidas arborizadas.
Um céu assim
Merece morros sem projetos de favelas.
Este céu era o da minha infância, Márcio !
Quando a gente pescava lambari no Cadena.
Quando o RIONAL era uma festa.
E o MANECO era o colégio padrão do RS.
E a Banda do Colégio Santa Maria existia.
E as reuniões dançantes no Clube Comercial produziam ereções coletivas.
E a Banda do Sétimo R.I. fazia retretas no coreto para alegria dos aposentados.
Hoje este céu banha uma cidade repleta de alienígenas.
Quem invadiram a cidade pra virar doutor.
E prá foder nossas gurias.
Para depois fugirem.
Deixando para trás lixo.
Desprezo.
E restos de esperma.
Ah...se este céu soubesse
Que a cidade mudou.
Que 45.000 pessoas estão desempregadas.
Ah...este céu talvez estivesse rubro.
De vergonha.
Por banhar a cidade que não é mais da Boca do Monte.
E muito menos...santa.

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AUTOR : James Pizarro

domingo, 18 de abril de 2010

Um urubu incomoda muita gente...

... dois urubus incomodam muito mais. Coisa me me irrita é gente urubuzenta, gente que reclama. Com aquela energia negativa que contamina. Reclama do calor, mas quando esfria odeia levantar de manhã cedo. Que reclama do sol forte, mas basta cair um pingo pra dizer que São Pedro não colabora. Claro, reclamar é normal, é humano, é desabafo. Mas todos os dias é problema, quem sabe até doença. Gente que reclama do aluguel, do cabelo, do país, dos filhos, do marido, do trânsito, da vida e também da morte. Que reclama dos colegas de trabalho e do trabalho que tem. Ahh, essa gente que reclama do trabalho. É da mesma fauna das que já fazem tudo no piloto automático, sem pensar, sem criar, sem motivação.

Sei que hoje em dia o mercado não está fácil, mas eu não me imagino insatisfeita em um lugar onde o que era para ser uma oportunidade para colocar em prática o que aprendo, ser um martírio. Não só pra mim que sou nova, com apenas 7 anos de carreira. Deveria valer para os que têm 10, 20 30 anos de profissão, qualquer profissão. Afinal, esses sim têm muita bagagem e deveriam fazer do trabalho um elemento para dar vazão a todo o conhecimento. Pena que na prática isso não ocorre. É triste ver pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansear, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar. E voltam a reclamar e ainda tentam te contagiar com esse espírito urubuzento. Isso me entristece.

Tomara que isso não aconteça comigo, mas se acontecer, eu me mexo. Procuro algo melhor, afinal, se o trabalho não for bom o suficiente para mim é porque sou boa demais. Constatado isso, procuro um que eu mereça, com certeza acharei. Cada um tem o que merece e, por enquanto, estou muito feliz. Se algum dia eu ficar assim, amarga, rancorosa e reclamando, não me internem, me enterrem. Pra mim trabalho sem desafio não existe, então é sinal que morri.

À quem não gostar, de antemão já aviso que não sou pretensiosa, nem melhor que ninguém. Só uma pobre mortal que gosta muito do que faz e que valoriza o que tem. Prontofalei!


"Vamos pedir piedade, senhor piedade, pra essa gente careta e covarde. Vamos pedir piedade, senhor piedade, lhes dê grandeza e um pouco de coragem". Cazuza (O cara)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

segunda-feira, 15 de março de 2010

O tio do estacionamento

Se tem uma coisa que me irrita muito é quando nossa língua portuguesa é açoitada, atropelada e mal tratada. Um exemplar dessa espécie de predadores é o tio do estacionamento da academia. Sempre que me entregava o papelzinho na entrada e quando eu pagava na saída ele largava um sonoro: OBRIGADA! Putz...como assim? Deve ter se enganado, logo pensei. Mas a concordância feminina seguiu, duas, três, quatro vezes e segue até hoje. E toda vez eu me irrito muito.

A gota d'água foi quando um senhor na minha frente pagou e o tiozinho agradeceu: OBRIGADO! Ahhh sim, agora faz todo sentido! Para meninas - obrigadA e para meninos - obrigadO. Ninguém merece. Eu passei a odiá-lo e comecei a fazer exercícios de respiração profunda e ensurdecimento cada vez que ia pagar o estacionamento.

Porém, isso tudo mudou hoje. Porque antes de me agradecer e eu já esperando com uma cara de nojo, ele largou: "Nossa, mas como tu tá magra, hein!" Fui aos céus, foi a glória. Eu amo aquele cara...hahahaha. Abri um sorrisão de orelha a orelha e, claro, depois do OBRIGADA dele, ao invés de não dizer nada como de costume, hoje sim eu respondi: DE NADO, meu querido!

sábado, 13 de março de 2010

Aniversário








*Um banho de chuva como comemoração para brindar mais um mês de amor. Pedir uma pizza e comer com a mão. Se deleitar com um vinho de não mais que R$ 30. Chimarrão no chão da sala falando besteiras. O nosso amor não tem nada a ver com sofisticação. É singular, é natural, é simples, é puro, é suficiente. Ao teu lado qualquer piscar de olhos é inspirador. Qualquer frase é poesia. Qualquer aroma é perfume. Qualquer prazer é deleite.


*Mais um mês que tudo isso começou.

domingo, 7 de março de 2010

Nú com a mão no bolso

 Genteeee! Essa vida de jornalista me proprociona cada coisa, mas cada experiência das mais inusitadas possíveis. Tenho muito orgulho de ver a realidade e pelo menos tentar reportá-la da melhor forma possível à população. E há 7 anos nessa vidinha de repórter, já entrevistei gente chata, gente que não sabia falar, gente surda, gente da Malásia, gente bonita, gente bem-humorada, gente nervosa, gente desesperada, gente sem noção, gente importante, gente que pensa que é importante, gente anã, gente gigante, gente de patins, gente dentro d'água, gente na balada... Bom, a lista não tem fim, mas nesta semana entrevistei um tipo de gente que nunca imaginei que teria a oportunidade: gente pelada! Estou falando da pauta do 3º. Encontro Latino-Americano de Naturismo, que ocorreu em Taquara (RS), no último fim de semana.

No caminho fui me preparando psicologicamente na tentativa de me despir de pudores materiais e preconceitos acerca do assunto, mas sem ter ideia de como seria quando chegasse lá, somente pensando em agir com naturalidade. Na portaria da sede do evento, linda e paradisíaca por sinal, Clube Naturista Colina do Sol, havia meninas com roupas que cadastraram eu, o fotógrafo e o motora. Entramos para falar com o presidente do lugar que seria nosso guia. Ele estava almoçando com a família e, não mais que de repente, se levantou da cadeira e veio plaft, plaft, plaft em minha direção para me cumprimentar. Muito sem jeito, tentando disfarçar, disse que esperaria ele terminar o almoço para começarmos a entrevista.

Me sentei e respirei fundo. Logo começaram a surgir homens nus de todos os lados. Um deles, saindo do armazém, veio puxar papo. O tiozão de 60 e poucos anos, sotaque argentino, careca com um rabicho de cabelo, veio falar sobre o estilo de vida que ele resolveu adotar há 15 anos e morar na Colina, deixando pra trás a esposa juíza em Porto Alegre. Juro, eu me concentrava firmemente nos olhos dele enquanto ele conversava em pé na minha frente e eu sentada. Depois chegou apareceu a primeira mulher, a esposa do presidente da Colina vindo de bicicleta, então o guia voltou e seguimos a pauta.

Ele nos mostrou o lugar paradisíaco e depois entramos no restaurante com dezenas de pessoas completamente nuas, que foi quando eu já havia relaxado um pouco. Aliás, neste momento, eu é que me senti nua. Por estar de roupa, os olhares se voltaram para mim e o fotógrafo. Depois rolaram papos descontraídos com um italiano e uma capixaba sobre a troca de culturas entre os países participantes. Muita gente legal, culta, simpática e muito bem vivida. na maioria eram aposentados.

No fim, saí de lá com um olhar completamente a vontade, pois as genitálias masculinas e femininas já não eram o foco. Juro que pode se dizer que dá quase pra esquecer que eles estão nus, depois de uma horinha de convivência.

Foi uma experiência e tanto. Saí de lá compreendendo que naturismo não é apenas andar pelado por si só. É possibilitar o respeito a si próprio, ao próximo e à natureza. Afinal, andar de roupa vai contra o que é natural do ser humano. Admiro os adeptos da prática, pois reconheço que o homem deve estar muito, mas muito evoluído, para não se prender a pudores, à vergonha do corpo, ao que é material. Afinal, ao ficar pelado socialmente eles não se despem apenas de roupa, mas também os preconceitos, malícias e tudo que é material.

VEJA O VÍDEO DA MATÉRIA AQUI.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Trocadilhos de outono

É gente boa, depois de derreter nessa cidade que é quase mais quente que Santa Maria, esfriou e muito. E dizer que há uma semana a felicidade por aqui era medida em BTUs. Agora só resta concluir que o frio justifica as meias.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Desintochicando





Depois de muito lutar contra a balança e querer emagrecer comendo pizza e churrasco, tomei vergonha na cara e me matriculei na academia (pela enésima vez) e, pela primeira vez, entrei no consultório de uma nutricionista. A minha intenção é que esses poucos quilos a mais não virem muitos daqui a alguns anos, além do que, quero aprender a comer como se fosse uma pessoa normal e não pensar mais que tenho estômago de elefante (antes que eu vire um). Antes da tortura me despedi com muito churrasco, maionese, siri na casca, milho verde entupido de margarina e cerveja. Na segunda-feira, bora pro consultório. Pois bem, saí de lá satisfeita e claro, com uma diéééta em mãos. Era uma cardápio de desintoxicação para cumprir durante uma semana. No segundo dia achei que ia morrer. Não aguentava mais comer comida gelada (leia-se salada, muita salada) e carne. Mas depois habituei.

Mas sabe quando todos os triglicerídios do universo terrestre conspiram contra ti? A palhaçada começou no refeitório da "firma". Temos um mega refeitório com comidas boas. Eu falei boas, não maravilhosas nem deliciosas. Eu com meu bandeijão e pá na cenoura, pá na beterraba, pá na alface, pá na alface de novo, pá na alface...pá no grelhado e...massa carbonara?? Como assim? Estava ela ali com seus bacons, ovos e temperinhos largando aquela fumacinha inebriante e, com o dedinho indicador, a montanha de carboidratos me chamava: "vem me comeeeeeer!!!" Mas que &*&%¨%#%@$#@(*&¨%$#!!!! Eu NUNCA vi massa no maldito bufê, a não ser cozida bem branca e com molho ao sugo separado.

Nunca. Mas claro, na primeira semana de dieta tava ela lá toda arreganhada me olhando. E o pior ainda estava por vir. Ao lado dela estavam as morangas carameladas que resolveram fugir do Alegrete e invadir a cozinha da empresa justo naquele dia. Elas lá, repousando sobre o refratário de inox, brilhantes feito verniz e provocantes feito O Jonny Deep quando faz "aquele" olhar. Fechei os olhos, tranquei a respiração e resisti. Até empinei o nariz pra elas e quase disse: "eu nem queria mesmo"...hahahaha.

Episódio 2. Dieta exige rancho. De fibras, cereais, peixes, iogurtes, etc. estava lá eu e meu excelentíssimo no mercado quando o cheirinho de mussarela derretida tomou conta do corredor. Era uma banca de amostra de pizza. Eu nunca tinha visto uma parafernalha com forno e tudo no meio do mercado distribuindo pizza para as pessoas. Mas claro, naquele dia lá estavam os discos cheios de queijo e calabresa quentinhos. Nem dei bola. Afinal, quando tu tá com fome dá uma olhadinha, mas fica com vergonha de pedir essas amostras no mercado e a maioria dos "amostradores" não fazem questão de oferecer. Ainda mais se tu tá de Havaianas e calçãozinho de andar em casa com cara de quem só foi ao mercado pra comprar "o pão das criança e o cigarro do Geniveison".

Mas não é que a praga veio na minha direção?? O cara perguntou se eu queria. Eu só olhei pro Ciro e dei risada e ele respondeu por mim: obrigado, estamos de regime. Vai o cara atrás dele e insistiu:"mas só um pedacinho não faz mal". Puta que pariu! Nossa Senhora das Gorduras polinssaturadas!
Sabe um ex-namorado que com o tempo tu começa a vê-lo e não sentir mais nada com isso? Tu vê como mais um e ok, tá tudo bem? Pois é essa a relação que estou tentando construir com a pizza, macarronada, cacetinho, churrasco de ovelha, champanhe... Assim eu vou, até agora foram anos de um relacionamento de amor, confiança, respeito e muita química com os treiglicerídios. Digo que não é fácil esquecê-los e muito menos tirar as lembranças deles que ainda insistem em habitar em meu corpo.


Mais post de gorda aqui.


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Ticumdum

Sábado fui presenteada com a pauta mais populacha do verão: samba, suor e cerveja...hehehe. Fui mandada pra escolha da Rainha do Carnaval de NH. Lembrei dos velhos tempos de SeCom, na cobertura aventureira dos ensaios nos barracos.

Por essas bandas não muda muito. Só achei a organização e figurinos mais caprichados, além de cada negra lindíssima e que tu chega a pular só de ver a empolgação e o samba dessas crioulas. Pois é aí que quero chegar. Nessa pauta eu lembrei que ao ouvir todo e qualquer tipo de batuque tenho que me conter. Sim, aflora o meu sangue afrodescendente herdado do véio Getulio e me baixa um ticumdum quase que incontrolável que eu esqueço da cor falsa das minhas melenas. Claro que na situação em que eu estava, foi difícil, mas fiquei só batendo o pé no chão acompanhando o ritmo. Mas em outra situação (com uns dois copos de cerveja)...sai da frente...hahaha. As gurias já conheceram a rainha do carnaval do Pingo, nos tempos áureos néan?

Mas realmente a batucada me emociona. Junto à trilha, todo o cenário, todo o contexto. A dona Maria que troca a o avental e a cozinha do restaurante que trabalha de terça a domingo pra vestir a fantasia mais formosa e mostrar todo o orgulho da sua escola como porta bandeira. O José que usa toda a agilidade de suas mãos de empacotador para batucar na bateria e dar o tom do desfile. Ou então o Tiagão, que troca a redação e o bloquinho de jornalista pelos tambores. Ahh Tiago, sorte a tua que pode reportar e ser personagem de todo esse ticumdum.




*Tiago Medeiros é jornalista e ritmista (toca surdo) da escola de samba Unidos do Itaimbé.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Vendedoras

Olha, quem me conhece sabe que eu tenho uma paciência sem fim. É difícil me tirar do sério. Pois bem, uma das poucas coisas que fazem a sra. calmaria se irritar é vendedor (a) sem noção. Pior, as que acham que tu é idiota.


Dia desses, eu atrás de um vestido (bem divo e barato hoho) em Novo Hamburgo, depois de muita pernada, me deparo com uma vitrine de gosto duvidoso. Mas como já tinha esgotado minhas opções, tasquei a mão no puxe/empurre e entrei. Pelamordedeus! Cada treco que usulivre de tão feios. Algo se salvava...e pra disfarçar minha cara de éca, comecei a olhar os cabides. Foi então que uma criatura com um cabelo de borrego oxigenado disse: "azórdi". Pensei: me tira daquiiii!!!

Ok, vamos lá. "Eu queria um vestido de festa curto que não seja preto". Lá vai a tia a tirar as réplicas do figurino da Joelma da Calypso. Me mostrando do branco ao fúcsia e dizendo: "é a cor da moda". Caraca! Pra vendedora todas as cores são da moda! E quem disse que quero cor da moda? Poxa, que mania. Primeiro stress silencioso. Depois dela insitir em um lilás com multipedras nada preciosas, disse que não gostei da cor e me fui embora.

Ao lado, outra loja mais "ajeitada", como diria o meu noivo. Alguns modelitos agradáveis, mas nada de mais. Estou eu, tranquila, olhando os cabides, pois as vendedoras me deixaram em paz, eis que olho para o lado e quem surge??? Quem????? A coisa de pelego na cabeça!!! Simm, ela montada em seu tamancão rolha de tiras esgoelando a batata da perna gordurosa e diz: eu de novo! Vim aqui porque tenho certeza que tu vai gostar....desse!!! Era um rosa chiclete medonho com tantos ornamentos que nem sei.

Outro causo foi numa loja em que pedi desconto pra pagar tudo a vista. A doida perguntou quanto eu tinha de dinheiro, quando fui olhar ela meteu a mão na carteira. Olhei com cara de fúria, mas comprei porque o desconto era muito, mas muito, bom.

Ainda bem que Novo Hamburgo é linda, próspera, limpa e a capital nacional do couro e do sapato. Porque se dependesse do comércio...

sábado, 19 de dezembro de 2009

Cof, cof, cof...

cof, cof...Sorry, é que é tanta poeira por aqui que resolvi aparecer pra dar um oi depois de 4 meses. Me ensaiei umas 3 ou 4 vezes nas últimas semanas pra falar aqui da minha indignação com as Olimpíadas no Brasil, com o Arruda, com a filha dele, a Geisy, pra falar de filmes que vi, peças de teatro, de como Novo Hamburgo é o máximo, de como a minha vida mudou... But, eu tinha coisas bem mais legais pra fazer e por isso não vim aqui.

Virada do ano, eu e meus posts reflexivos. Não podia deixar de recapitular as metas de 2009, quando postei aqui em 2008. Lá vai:


1- Ver amigos que eu amo, pelo menos, uma vez por semana
Mudei de cidade. Telefonei pra todos e os vi quando pude. As da região metropolitana também pude conviver mais e os novos e que moram perto vi sim, uma vez por semana. Ponto pra mim.
2- Perder mais uns quilos
Ponto pra balança...hahahaha
3- Ler quantos livros planejo ler
Hum, não que eu desejasse, fui obrigada mesmo. É muito bom estudar de novo e abrir ainda mais os horizontes.
4- Trabalhar com a mesma paixão de sempre
Yessssss!!! Mais do que nunca!
5- Aprender a guardar dinheiro
Ponto pro shopping
6- Ter um pouco mais de sensibilidade com as coisas do coração
Bããããe. Achei o amor da minha vida, beijei num dia, namorei no outro e noivei logo depois. Quem diria que um primo ia fazer tudo isso. Em breve serei Patrícia Pinto Lemos Pinto. Precisa comentar mais?
7- Falar menos palavrões por minuto
Ponto pra mim!
8- Encarar, no mínimo, um mega über desafio por mês
Não sei se um por mês. Mas encarei cada coisa. Ainda por cima aprendi a andar a cavalo e a saltar obstáculos bem altos em cima deles...hehe. Ponto pra mim!
9 - Voltar a não gostar de cerveja
Yess champanhe semanal!Ponto pra mim!
10- Só dar alegrias à minha família
Sobre esse item eu estava falando ontem. Nos últimos 6 meses que liguei pra casa foi para dar 7 notícias boas. Eu disse SETE!!! Não boas, mas sensacionais e inacreditáveis. Conquistas batalhadas há tempos que se concretizaram. Coisas que achei que levaria anos luz para conseguir e cá estou. Golpes surpreendentes que a vida nos prega.

É uma loucura pensar que há um ano minha vida estava completamente diferente. Muito legal, muito feliz, mas bem diferente. Eu estava com planos modestos, mas o salto para o que eu queria foi meteórico. Sempre fui muito feliz por ter uma saúde invejável, uma família fenomenal, amigos fabulosos e uma profissão que amo muito. Mas hoje, posso dizer que sou uma mulher COMPLETA em todos os sentidos. Não posso reclamar de nada. Sinceramente, eu nunca fui tão feliz em toda minha vida!


Transmito muita paz no coração, meu imenso carinho e que cada um que leu esse post alcance seus objetivos em 2010, 2011, 2012...

FELIZ 2010!!!

Ps.: Hoje é niver da mãe, pessoa mais importante da minha vida. O primeiro longe dela por motivos ótimos, mas no Natal logo tô aí!!!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Músicas que falam por mim

Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir

Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir

Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar

Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

Pra você guardei o amor
Que aprendi vem dos meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que arco-íris
Risca ao levitar

Vou nascer de novo
Lápis, edifício, tevere, ponte
Desenhar no seu quadril
Meus lábios beijam signos feito sinos
Trilho a infância, terço o berço
Do seu lar




quinta-feira, 30 de julho de 2009

Acordar como se o dia fosse de propósito

As faíscas...

Uma pequena conquista profissional.
Vinho e pinhão com a irmã mais velha.
O cheiro do café passado às 11h, 15h e 17h.
Raios de sol na nuca ao amanhecer.
O ombro mais aconchegante do mundo ao anoitecer.
E se forma a combustão para o abastecimento da felicidade e plenitude.

Simples assim.